Deus é inocente: a imprensa não é a primeira obra literária do jornalista Carlos Dorneles. Ele nasceu em Cachoeira do Sul (RS) em 1954; é repórter da TV Globo desde 1983, após trabalhar na Folha da Manhã, no Zero Hora e na RBS-TV, em Porto Alegre. Também foi correspondente internacional em Londres (1988-1990) e em Nova York (1991-1922).
O livro é baseado na análise das matérias publicadas nos mais conceituados veículos de comunicação do mundo referente ao que ocorreu no inesquecível 11 de setembro de 2001. Dorneles faz um relato impressionante sobre a cobertura dos desdobramentos dos ataques terroristas e a forma que eles foram divulgados na mídia, a final os artigos tinham que ser vistoriados pelas autoridades antes da publicação, isto é , tornavam-se passivos à manipulação.
Uma guerra que se dizia em nome de Deus e em nome da paz mundial, por trás, revela uma guerra de interesses econômicos que determina a censura à difusão de informações sobre os ataques ao Afeganistão, imposta pelo governo norte-americano.
Essa briga vendeu ideologias e transformou povos e religiões em perigo para o mundo. Na verdade, os interesses políticos e econômicos estavam em primeiro plano.
Carlos Dorneles relata minuciosamente a subordinação dos grandes órgãos da imprensa americana e inglesa ao governo do Presidente George W. Bush e como os mais importantes veículos se anteciparam à iniciativa belicista do governo, oferecendo seus serviços como cobertura ideológica das operações de guerra.
“A imprensa pediu guerra e foi atendida.[...]Numa guerra em que os americanos jamais combateram em solo, a mídia descreveu um conflito diferente, muito mais limpo e heróico.”
O livro também destaca a conduta lamentável dos principais órgãos de comunicação brasileiros frente a guerra contra o Afeganistão, pois as notícias veiculadas pelas agências foram publicadas na íntegra, ou seja, sem o menor cuidado crítico e sem confirmação dos fatos. O autor ressalta que a imprensa brasileira apenas seguiu os passos da americana, tornando-se refém e cúmplice da mesma.
Vale a pena conferir esta literatura para que se possa formar uma opinião mais crítica e avaliar como a mídia tanto pode manipular uma informação como pode ser manipulada pelos poderes políticos a fim de enaltecer um povo e desfigurar a imagem de um outro.