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O Rádio

A transmissão de rádio se popularizou por volta de 1920. No início do séc. XX a transmissão, por hertz, era possível. John Ambrose Fleming (1849-1945) patenteou a válvula de diodo ou retificadora, composta de placa e filamento. Dois anos mais tarde, Lee de Forest (1873-1961), transformou-a em triodo, acrescentando o terceiro elemento, a grade. Essa válvula ampliou os sinais elétricos e o revigorava como havia previsto o Padre Landell de Moura. As válvulas foram logo utilizadas pelos “Laboratórios Bell”, para transmissões telegráficas e telefônicas por fio. Também viabilizou a rádio-telefonia. Nessas transmissões a válvula se mostrava fundamental capacitou-a a acionar um receptor telefônico. Depois foram dados os primeiros passos na radiodifusão, mais tarde, beneficiou-se dos alto-falantes. Mais isso já era posterior a 1920.

Com a válvula de triodo, na noite de Natal de 1906, Lee de Forest e Reginald Aubrey Fessenden (1866-1932), conseguiram irradiar, em Bran Rock, Massachusetts, nos Estados Unidos, número de canto e solos de violino. Mas Lee de Forest, não contente com tais êxitos, em 1916, criou o primeiro jornal falado norte-americano. Os boletins eram fornecidos pelo “New York American”. Enquanto isso, na Bélgica, o francês Raymond Braillard e o belga Robert Goldschmidt, transmitiram programas falados e musicais, de 1913 a 1914, a partir do Castelo de Laeken, próximo a Bruxelas.

A radiodifusão começava a balbuciar, quando veio a Primeira Guerra Mundial. O rádio começou a ser utilizados nos campos de batalha concentrando-se para fins militares. A guerra inibiu a utilização do rádio para transmissões abertas ao público, mas, indiretamente, as pesquisas por ela incentivadas foram úteis a radiodifusão. O conhecimento adquiridos no pós-guerra facilitou o florescimento das estações radiofônicas.

Na Holanda, em 6 de novembro de 1919, iniciam-se transmissões privadas. No mesmo ano instalaram-se emissoras experimentais nos Estados Unidos. Em 15 de junho de 1920 se iniciam as transmissões de Chelinsford, na Inglaterra, promovidas pelo “Daily Mail” em conjunto com a Companhia Marconi. Na França, em novembro de 1921, o general Gustave Ferrié (1868-1932) inicia a transmissão de resenhas de fatos econômicos e de boletins meteorológicos, irradiados da torre Eiffel. Marcam, respectivamente, o início da rádio na Bélgica, Itália e Alemanha, nos anos de 1923, 1924 e 1926. Na antiga União Soviética, as emissões começam em 1924 embora tenham registro de um discurso de Lênin em 1922, a partir do cruzador Aurora. O Japão inaugura sua radiofonia em 1926. Na América Latina a Argentina foi o país precursor, em 1920. Na mesma década, em 1922 e 1923, se inicia a história radiofônica brasileira.

O rádio eclode

Poucas realizações humanas conseguiram sucesso tão rápido e êxito tão retumbante quanto a radiodifusão. Em uma década conquistou todas as regiões civilizadas do globo terrestre.
Na Europa observou-se ingerência do poder público. A tendência robusteceu-se com os anos e o regime legal de radiodifusão foi um completo monopólio estatal. No Brasil, em contrapartida, a iniciativa privada granjeou larga participação no processo. Foi dada aos particulares a oportunidade de realizar os serviços de radiodifusão. Ao Estado cabia controlar as empresas, o espectro das ondas eletromagnéticas e impor disciplina quando rateada.

Nos Estados Unidos, o retorno ao regime de outorga de licenças disparou a “corrida ao ouro” do rádio. O que assistiu foi uma grande explosão.

Durante os anos da guerra, tendo as transmissões sob seu controle direto, o governo norte-americano avaliou em toda a sua extensão a importância das telecomunicações. Mesmo assim, a volta ao regime de autorgas significava a reconstituição do cenário anterior, no qual sobressaia a presença avassaladora da “Companhia Marconi”. Era fácil prever que essa mesma empresa gozaria de posição privilegiada, quando a radiodifusão eclodisse. As maiores companhias ligadas à produção de material elétrico e à comunicação foram convidadas e, com fundos fornecidos pela “Westinghouse Eletric Company”, pela “General Electric Company” e pela “A.T.T. – American Telephone & Telegraph Co.” erigiu-se um gigante: a “Radio Corporation os America” a fabulosa RCA.

O rádio no Brasil

Em 1922, em comemoração ao Centenário da Independência, a Westinghouse apresentou uma emissora, cujo transmissor de 500 watts foi instalado no alto do Corcovado. Fez emissões de músicas e alocuções captadas em 80 receptores importados para a ocasião e doados as “Pessoas gradas”, ou seja, a alta sociedade que ouviam o discurso do presidente Epitácio Pessoa, transmitido em 7 de setembro de 1922, e as óperas encenadas durante as semanas seguintes no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Em 20 de abril de 1923, com a criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, o rádio instala-se definitivamente entre nós. Essa emissora, de início com o prefixo PRA-A e depois, PRA-2, teve como sede inicial a Academia Brasileira de Ciências, o que não é de estranhar uma vez que seus fundadores, Roquette Pinto e Henry Morize, eram homens do mundo científico. Edgard Roquette Pinto (1884-1954), antropólogo, participou da missão Rodon em 1907 e 1908 e da expedição entre os rios Juruna e Madeira, em 1912. Dessas atividades resultaram o seu livro “Rondônia” e as primeiras filmagens de tribos indígenas brasileiras.

Aceita-se, hoje em dia, que o rádio poderá desdobrar-se ainda em novas formas de serviços, principalmente tendo em vista o interesse social. Com esse sentido vieram as rádios comunitárias regulamentadas desde 1998.

Sobre o Autor

Emanuel Limeira é webdesigner freelancer desde 2010 e cursou Jornalismo até o 4º período. Cursará Comunicação Social em Mídias Digitais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 2010/2.

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