www.youtube.com/watch?v=P8-_-E3JORM
Vão dar de ombros os mais novos, mas o vídeo acima é um marco para os amantes (ou para quem já amou) o virtuosismo rebelde do heavy metal. Ontem à noite, em Sofia, na Bulgária, durante o Sonisphere festival, se juntaram no palco Metallica, Megadeth, Slayer e Anthrax. Na jam session, tocaram o clássico “Am I Evil”, da banda Diamond Head. As quatro bandas são as responsáveis pelo surgimento do thrash metal, em meados dos anos 80, e pelo início da queda do NWOBHM, a onda de metal britânico que reinava até então, capitaneada pelo Iron Maiden. Outro membro da onda britânica que seria desbancada pelas Big Four seria exatamente o Diamond Head, que tanto influenciou o próprio Metallica e cuja música foi escolhida para juntar as quatro bandas thrash.
Soa complicado mesmo. Façamos assim: se você é brega, imagine Roberto Carlos, Amado Batista, Waldick Soriano e Agnaldo Timóteo juntos, no mesmo palco, tocando “Amada amante”. Se você é é emo, imagine Fresno, Cine, Restart e NX0 tocando “Desde quando você se foi”. Se você é forrozeiro, imagine as bandas Rabo de Vaca, Calcinha Preta, Mastruz com Leite e Solteirões do Forró, historicamente juntas, tocando o clássico “Faltou o leite Ninho”.
A cena do vídeo acima, apesar de cheirar a final de carreira em massa, é simbólica pra mim. Cresci ouvindo as quatro, gostando da porrada sonora mas também lamentando o fim da Era Iron Maiden, trazida pelos riffs rápidos e pelos vocais rasgados do thrash. Acompanhei também a novela mexicana entre Dave Mustaine, líder do Megadeth, com sua ex-banda, o Metallica. O Anthrax, uma espécie de Ultraje a Rigor do estilo (por sua irreverência), fez alguns discos dos que mais gostei na adolescência. Slayer fez Seasons in the Abyss. Não precisava fazer mais nada.
Foi com as quatro grandes do thrash que convivi por longos anos, me refugiando do tipo de música ao qual eu viria a dar bola só mais tarde, com a idade — como a Legião Urbana. Hoje a tal união de Metallica e Megadeth no mesmo palco não me emociona tanto, só cheira a adolescência. E como isso é bom. Até poucos anos atrás, meu sonho era ver Roger Waters e David Gilmour tocando juntos. Quando aconteceu, no festival Live Eight, deu a mesma sensação de encenação pros fãs. Pouco importou, no fim.
Hoje ando ouvindo “With a Song in My Heart”, do John Pizzarelli, algo mais condizente com meus 36 anos de idade.
Mas lembrar dos tempos em que a gente ‘cantava’ ‘Am I Evil?’ é muito bom.
