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Viajantes do mesmo ônibus

No mundo contemporâneo o tempo das pessoas torna-se cada vez mais precioso, a competição diária pela sobrevivência faz o tempo ficar mais escasso. No trabalho, na rua, em casa, é cada vez mais difícil como uma luta moderna primata onde o egoísmo e a selvageria destacam-se. O pensamento coletivo do trabalho em comunidade é substituído por um sentimento de individualidade onde o eu, é o objetivo de maior retorno. É para o eu que as coisas são produzidas. E viva o egocentrismo!

O trânsito é sem sombra de dúvida um objeto de estudo ideal para comprovarmos essa competição. Imagine às seis horas da tarde na Avenida Getúlio Vargas no centro da cidade de Manaus, uns saindo do trabalho, outros dos colégios, outros saindo de casa indo para outra parte da cidade com o desejo desesperador de chegar ao seu destino, todos juntos com a mesma obstinação. Os ônibus parecem caixas de fósforos, gente se transformando em palito amontoando um por cima do outro, e não tem pra onde correr são todos os ônibus na mesma situação nem adianta esperar o próximo. É um pisando no pé do outro, é menino chorando coma mãe dando uns cascudos, sacolas por tudo quanto é canto, os lugares destinados a idosos, grávidas e deficientes ocupados por pessoas sem essa condição, às vezes alguém “cede” o lugar, nas outras vira a cara fingindo estar dormindo. E o motorista que faz repetidas vezes esse trajeto e já consumido pelo estresse comete o delito de não esperar as pessoas descerem do ônibus com uma velocidade desesperadora!

Do lado os motoristas, verdadeiros guerreiros de sua condição, que não é nada boa, calor, fome, noites mal dormidas contribuem (não justifica) para ultrapassarem sinal vermelho, parar na faixa de pedestres, que aliais tem que se virar tentando andar na calçada que não existe, uma confusão danada. O mais engraçado é que ninguém perde a razão, num acidente, por exemplo, ninguém quer dar o braço a torcer, pronunciando palavras de baixo calão que não irei citar aqui por educação. Mas alguém tem que pegar a culpa, então ela vai para o prefeito que deixou a cidade cheia de buracos, e que não faz nada para melhorar.

A cada dia que passa o mundo nos devolve o que nos fazemos com ele, viver em harmonia depende de cada um. Criamos situações em que nos colocamos um contra o outro, onde olhamos apenas para o nosso umbigo. Começando pelo obrigado, ou, por favor, não é preciso ler o livro de etiqueta da Glória Kalil,mas é só lembrar que nos tempos em que o respeito foi peça primordial para a boa convivência dos seres humanos operava,parecia que tudo era mais civilizado. Melhorar a convivência nesse mundo tão moderno e ao mesmo tempo tão bagunçado parece até impossível, por isso deixemos de lado um pouco a buzina porquês estamos todos no mesmo ônibus.

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Em construção.

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